google-site-verification: google19413af9d0cb8adf.html

Orfanato: Norte do Eden

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Era uma vez um garoto inteligente. Ao menos mais inteligente que os outros garotos do orfanato. Seu nome era Clifreu. Muito talentoso, era o mais belo, o que cantava melhor. Dos órfãos, era o preferido do senhor Sedu, dono e criador do orfanato Norte do Eden.
Clifeu cresceu no Eden e não conhecia nada além dos muros. Era o mais esperto mas, ainda assim, vivia na ignorância porque o senhor Sedu não lhes mostrava muita coisa, bastava seguirem o protocolo: obediência incondicional, e tudo estaria ok. Sedu não os ameaçava, não os educava e os tratava muito bem, lhes dando total atenção, não os deixando passar necessidade alguma e sendo amado e respeitado por cada um.
Muitos anos se passaram, os garotos cresceram em estatura. Clifreu cresceu também em curiosidade. Esse era o seu diferencial. Sua astúcia era consequência de ser observador. Olhava as plantas crescerem, a chuva chegar e sair, a noite e o dia passarem e ao invés de aceitar as histórias que Sedu lhes contava desde que se entendia por garoto, buscava compreender o que o cercava.
"A chuva cai porque quero que ela caia!", dizia Sedu em meio a risadas escandalosas, sentado com seus garotos em círculo, "E os trovões e relâmpagos são o medo que a chuva tem de mim se manifestando!" E todos ouviam atentos. Riam quando Sedu ria e calavam-se quando ele fazia uma voz mais séria ou misteriosa. Como em uma orquestra, onde o contador de história era o maestro, que comandava a natureza e as atitudes de todos que o ouviam.
Era difícil admitir, mas Clifreu estava sendo controlado também, com a diferença de que ele sabia. Mas isso não perduraria por muito mais tempo... Seu motivo de rebeldia não tardou a chegar. Sedu, há alguns meses, sumia de vez em quando do orfanato e aparecia sempre muito contente depois. Numa dessas noites de história contou o que fazia em segredo.
"Estou criando cachorros!"
Os garotos ficaram estupefatos, mais pelo tom de voz que pela palavra desconhecida.
"Cachorros?", arriscou um dos meninos, "O que é um cachorro?"
"São bichinhos felpudos, fiéis, bonitinhos e alegres." Sorria. "Muito parecidos com vocês, exceto a parte de serem felpudos."
"Mostra-nos um deles?", pediu outro garoto, logo tapando a boca, como se a feia curiosidade tivesse escorrido entre seus dentes, fechados agora num sorriso amarelo. Sedu saiu.
Clifreu, que estava a um canto da sala, indignou-se quando Sedu voltou com um monstrinho estranho lambendo seu rosto, abanando o rabo e produzindo um som horrível.
"Isso é igual a nós?!"
Ainda que estranhando seu comportamento, Sedu respondeu gentilmente:
"Não exatamente. Eles são mais frágeis e, portanto, merecem o amor e o carinho de vocês.", virou-se para trás, assobiou e disse. "Venham filhos!" E vários filhotes entraram aos tropeços e latidos, numa corrida desajeitada e contente.
Depois de meia hora os garotos riam e já brincavam, cada um com seu filhote. Exceto Clifreu, visivelmente aborrecido a um canto, remoendo na mente a cena de Sedu chamando os monstrinhos de filhos. O velho e bondoso senhor foi conversar com ele. Não demorou para que Clifreu estivesse aos berros, coisa nunca antes vista no orfanato. Todos os órfãos pararam para olhar a discussão.
"Eles são como as plantas então, crescem?"
"Sim", respondeu Sedu.
"E têm dentes pontudos e não têm inteligência como nós, portanto em algum momento vão morder."
"Possivelmente."
"Pois eles crescerão e morderão a mão que os alimenta Sedu! Livre-se deles enquanto há tempo!"
Foi a última frase que os garotos ouviram Clifreu pronunciar. O velho Sedu não suportava desobediência ou insubordinação, afinal ele nunca errava, não havia porquê o questionar! O que seria do orfanato se não se impusesse à altura nesse caso tão crítico? Um garoto querendo mandar nele, no dono?! Não... Isso não podia ser. Sedu o levou, puxando pela orelha, até uma sala no fundo do orfanato. Clifreu a olhava espantado, nunca a tinha visto. Respirava fundo, recuperando o fôlego e olhando o aspecto horrível do lugar enquanto esperava Sedu encontrar a chave certa para a fechadura.
"A construí ontem. Servirá para você passar um tempo pensando no que fez."
"Mas o que eu fiz para o senhor? Só disse o óbvio! Sabe que vai acontecer!"
"Você quis mandar em mim. Quis ser melhor, é isso o que fez."
"Mas você me deixou ser dessa forma... É culpa minha eu ser o que o senhor permitiu que eu fosse?"
"Sim."
Clifreu respirou fundo e buscou ser o mais racional possível.
"Só não estou ignorando o fato que é bem melhor só a gente aqui!" Parecia desesperado para se fazer compreender, e no fundo sabia que já tinha sido entendido. Mas ainda assim arriscava continuar uma explicação inútil com alguém que não o queria ouvir." Esses bichos que não sabem pensar vão destruir o orfanato. O destruiriam só com cocô, pelos meus cálculos. Só nesse pouco tempo vi três fazendo lá na sala. Encheriam esse orfanato em algumas horas!"
Normalmente Sedu riria dos gracejos do moleque. Mas agora não era o momento para isso. A porta se abriu, o momento de anunciar seu castigo chegou.
O quarto era imenso por dentro, se estendia a perder de vista. A porta, onde estavam prostrados, ficava no alto de um gigantesco precipício, as imensas montanhas do quarto não chegavam nem a metade da altura de onde estavam. E como fez calor depois que Sedu abriu a porta... Lá embaixo parecia quente, com toda a lava e labaredas de fogo brotando do chão. O ponto onde estavam era tão alto que os rios de lava pareciam linhas rubras desenhadas com um graveto no chão.
"Alto não? Eu chamo de Inferno. Significa, 'As Profundezas'." Vendo a palidez de Clifreu, continuou. "Bom, este é um lugar para que sofra torturas eternamente e pense duas vezes antes de me contrariar de novo, Satã!"
"Satã?"

"Significa opositor." E, com um chute no tórax, fez o garoto ingênuo, carente e curioso despencar desfiladeiro abaixo. Por um erro foi condenado ao quarto de seu castigo e tormento eterno. Enquanto caia, olhava com um olhar morto e triste o seu pai trancando a porta do Eden. Uma última lágrima escorreu de seus olhos, mas logo evaporou com o calor. Fim.

Fanatismo Religioso

Posted by Fernando Batista On 2 comentários




Não me incomoda o comodismo das pessoas na fé - na verdade a fé foi feita para ser cômoda mesmo: você acredita, não prova a existência do que acredita e seu direito de crença é amparado por lei - o que incomoda é essa raiva que os fanáticos religiosos sentem ao ouvirem alguém pondo em cheque a lógica-cristã.

Exemplo: Se uma criancinha foi salva de uma doença gravíssima os fiéis: dão Graças a Deus! Mas milhões de criancinhas morrem de fome todos os dias... E certamente se usarmos a mesma lógica e dar graças a Deus, seríamos apedrejados com ódio e violência cristã.

Deus não te deu o dom de pensar, duvidar e argumentar só pra te mandar pro inferno

Por que não dar graças pelas mortes das criancinhas também? Deus permitiu que morressem assim como permitiu que a garotinha fosse salva. Pela lógica-cristã a gente tem a obrigação de agradecer tudo. Ele, Deus, tem seus motivos, somos nada comparado à Inteligência Divina, agradeçamos a Tudo!

Compreenda que não tenho a intenção de ofender sua inteligência, mas te fazer refletir a respeito do seguinte:


Ilógico é tentar encontrar lógica para sua fé

Simplesmente creia (ou não creia), isso basta. Você não tem a obrigação de ser fanático só porque alguém HUMANO disse que você tem. Você não é obrigado a dar sentido à tudo o que está escrito seja em qual livro for. Proponho que ao invés de deixarmos nosso ego bradar: É ASSIM SIM! DO JEITO QUE ME DISSERAM QUE É A VIDA INTEIRA! E VAI CONTINUAR SENDO! Deixemos o nosso bom senso reinar... Para que tenhamos paz de espírito, basta que façamos o bem, realizemos boas obras, ajudemos quem precisa... Seja pelo motivo que for. Não precisamos carregar uma bandeira escrito 'Igreja Multidimensional dos Vários Universos Paralelos de Deus', façamos o bem pelo bem!

Olha aí, a raiva estava brotando no seu coração. Deus não gosta disso! Reprima essa raiva aí! Engula seu orgulho! O fanatismo religioso só leva à guerras, destruição e inúmeras contradições com a própria crença. O dia que as pessoas conseguirem continuar com suas fés e rir de alguns aspectos de sua religião, os que não fazem sentido algum, sem sentir medo do inferno ou culpa porque sua religião (ou sua igreja ou seu pastor ou seu ego) é intocável e indiscutível ou no dia que simplesmente pararem de sentir raiva de quem argumenta com pontos de vistas diferentes de  suas fés cegas quem sabe o mundo se torne um ambiente mais pacífico e mais coerente com a paz que todas as religiões pregam.

Você TEM QUE ler essa postagem

Posted by Fernando Batista On 0 comentários

Se a primeira coisa que pensou ao ler o título foi: 'Não tenho, não!' Então o texto é em especial pra você. Desconhecemos a identidade do primeiro idiota a juntar essas palavrinhas e começar a criar leis aleatoriamente. Suspeito que o uso do "tem que" faz parte da humanidade desde as eras mais remotas de nossa existência quando, em bandos, urrava-mos para qualquer estranho que adentrasse nosso território.

Esse foi o 'tem que' mais antigo:


TEM QUE sair! Meu água!

Não são exatamente as palavras, mas a forma como são ditas que me incomodam. Quando são um alerta cuidadoso 'Tem que dormir melhor' ou claramente uma sugestão 'Cara, você tem que ver esse filme!' tudo bem, mas as pessoas normalmente usam essas palavras como ordem: 'Você TEM QUE sair mais', nesses momentos dá vontade de ser mal educado: "PORRA! E se eu não quiser?! Não tenho que fazer algo só porque disse que tenho!"

Mas fomos ensinados a ser educados com as pessoas, então simplesmente nos calamos ao ouvir essas ordens vazias: 'tem que dar risada dos problemas, tem que ir pra igreja, tem que gostar de um esporte, tem que assistir mais tv, tem que fazer a tarefinha'. NÃO, NÓS NÃO TEMOS!

O que é imprescindível (ou seja, realmente tem que ser feito):
  • Alimentarmo-nos;
  • Beber água;
  • Fazer cocô e urinar.
O resto é opcional!

Opcional


Existem situações desejáveis, tais como ter uma vida social, sexual e financeira relativamente boas. Para alcançar tais objetivos é necessário fazer por onde. Aí sim o 'tem que' faz sentido, quando há uma condição:

"SE você quiser ser saudável TEM QUE cuidar da sua saúde"
"SE você quiser enriquecer de maneira lícita TEM QUE trabalhar muito"
"SE você quiser passar de ano na escola TEM QUE fazer as tarefinhas"

E qual seu objetivo falando isso tudo Fernando?

Bem como o objetivo de todos os outros textos: Expor o que penso e mudar o mundo. Bom, ao menos meu mundo, o mundo composto pelas pessoas que conheço e que virei a conhecer. Se achou que fui repetitivo é porque compreendeu a idéia desde o início: é chato ouvir o 'TEM QUE' mal empregado! Deveríamos pensar melhor a respeito de quando faz sentido usar essa expressão.

Solidão

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Dica: Leia ouvindo http://tinyurl.com/the-dragons-breath



Fui aprisionado nas masmorras de meus próprios temores há muito tempo atrás, quando meus sonhos ainda não eram fortes o bastante para suportar o peso do mundo real. Desde então, busco não pisar além das fronteiras de minhas poucas certezas. Nesse vazio solitário nunca soube ao certo o que aconteceria, mas sempre tive a sensasão, que alguns chamam de esperança, de que em algum momento a situação melhoraria e eu sentiria algo melhor do que o frio desolador que há tanto tempo consumia minha mente. Sozinho em meus próprios devaneios, afogado em minhas ilusões tão ideais, perdi a noção do tempo, então não pude precisar o momento em que tudo aconteceu: o dia no qual senti um sopro de força de vontade vindo das trevas - ou talvez fosse só a morte sussurrando palavras doces que não pude compreender.

Arrisquei sair daquele lugar úmido e sombrio. Como cajado usava as palavras que ecoavam pelo túnel negro das incertezas. Busquei acreditar que eram ecos amigáveis e salvadores, pois nada me restava além de crer que só coisas melhores que a desolação eterna me aguardavam ao fim da jornada. Alguns dos sons, frios e cortantes, me assombravam enquanto outros, mansos e graves, acalentavam minha alma e me instigavam a prosseguir caminhando. Nem melhor, nem pior, buscava simplesmente algo novo.
As palavras sussurradas ao longo do tempo ganhavam força e a língua começou a tomar forma em minha mente. Comecei a compreender alguns trechos do que me diziam: "Uma longa jornada começa com um breve passo", "Não há glória sem sofrimento", "Continue, mais forte, melhor, mais resistente, sobreviva, lute, bom...", "A justificativa do seu passo é a possibilidade de um próximo passo", "Se quer paz, prepare-se para a guerra"... Nem todas me encorajavam, mas cheguei à brilhante conclusão que a intenção das vozes não era me dizer coisas bonitas, mas me provocar. Me provocavam a continuar caminhando. E, conforme andava, minhas pernas doíam e cada célula do meu organismo clamava por descanso, mas o ar tornava-se mais puro, meu corpo mais resistente e graças à essa idéia fixa de buscar algo diferente, não desisti. Caminhei durante meses, ou ao menos o que me pareceram meses, aos poucos passou a ser possível discernir lodo de tijolos, ratos de pedras, fé de força de vontade. Finalmente cheguei ao fim do túnel, ele dava para a encosta íngrime de uma montanha cercada por uma imensa floresta.
Meu destino repousava em dúvidas, apesar de eu ter conseguido escapar do túnel negro do medo. Sonho e realidade mesclaram-se num só elemento, o que eliminava a chance de existir qualquer certeza. Restou-me o incerto: Um novo horizonte, repleto de inúmeras questões e obstáculos me aguardava. Naquele momento soube que o ar enchia meus pulmões por algum motivo. Não foi em vão que desenvolvi mais resistência, força e sabedoria - elas seriam necessárias fora da minha antiga zona de conforto.
Finalmente, percebi que meu caminho é solitário, independente de quantas vozes na minha cabeça possam me contar suas experiências, aconselhar-me ou proferir insultos e provocações. Depende de mim caminhar ou me deitar, inútil, acelerando os passos da morte em minha direção.
Naquele momento um sorriso brotou em meus lábios de rocha pela primeira vez em muitos anos. Meus músculos doíam. Finalmente sentia algo novo e, inesperadamente, bom. Descobri que sou livre.



Atualizando em 14/02/2015, porque né.


Desenhos da Emilly.

Estágio Obrigatório 2011 - HITS'

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




A disciplina de Estágio Obrigatório trouxe inúmeras novas experiências para a minha vida acadêmica. Se eu pudesse indexar uma trilha sonora, seria essa seleção abaixo, cada música para uma aula:


Track 01 - Also Sprach Zarathustra
Data: Quinta-feira, 28 de Abril

LINK: http://tinyurl.com/als0-sprach-zarathustra

Track 02 - Roger Waters - Confortably Numb
Data: Segunda-feira, 02 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/c0mfortably-numb

Track 03 - Bad Religion - Delirium of Disorder
Data: Quinta-feira, 05 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/delirium-0f-disorder

Track 04 - Pink Floyd - Sorrow
Data: Segunda-feira, 09 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/s0rrow

Track 05 - Michael Jackson - They don't care about us
Data: Quinta-feira, 12 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/they-d0nt-care-about-us



Track 06 - System of a Down - Aerials
Data: Segunda-feira, 16 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/a3rials

Track 07 - Slipknot - Wait and Bleed
Data: Quinta-feira, 19 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/w8-n-bleed

Track 08 - Marilyn Manson - Highway to Hell
Data: Segunda-feira, 23 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/highway-t0-hell

Track 09 - Shakira - Waka Waka
Data: Quinta-feira, 26 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/waka-wak4

Track 10 - Catano Veloso - Alegria Alegria
Data: Segunda-feira, 30 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/alegri4-alegria

Track 11 - Eagles - Learn to be Still
Data: Quinta-feira, 02 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/learn-to-be-still

Track 12 - Arturo Sandoval - Windmills of your Mind
Data: Quinta-feira, 09 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/windmills-of-your-mind

Track 13 - Pink Floyd - Another Brick in the Wall
Data: Segunda-feira, 13 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/an0ther-brick-in-the-wall

Rui! Oras ore às rúculas...

Posted by Fernando Batista On 0 comentários



Marina brincava no canteiro dos seus pais. Ela começou a cultivar essa nova paixão há algum tempo. Antes vivia apenas para a igreja e a escola, mas criava vida em seu quintal no momento. Plantas, vegetais de toda sorte e tamanhos ocupavam suas tardes ensolaradas de verão. "Que cresça saudável e forte" orava por todo o lote, "Que o Senhor livre meu plantio do mal, do frio e da morte".
Seu vizinho, Rui, da mesma faixa etária, ria-se e traquejava seus gracejos com Marina, esnobando a pequenina de seu hobbie tão engraçado.
- Oras Rui, mal-educado, por acaso não sabeis que orar não é errado?
- Disso sei pequena tola, mas sabes pelo que oras?
- Sim sei, é por minha horta, para que não haja alforra.
- Que é isso?
- O que? Alforra?
- É, diga logo p...
- É doença! Doença de planta, que mata! E não quero que minha horta morra.
- E orar ajuda em que?
- Se não crê não pode entender. - não argumentar o irritava a valer.
- O que é crer?
- Acreditar sem provar.
- E porque pensas que não posso acreditar? Por ser lógico e são?
- Não! Porque já me disse que é ateu, e não cristão.
- Foi o que disse, mas, enfim... Sou um ateu mente-aberta. Se me mostrar que faz sentido e eu ver que está certa mudo minha opinião. Dou-te por bem entendedida e deixo de ser brincalhão.
- Será que vale a pena explicar pra você?
- Oras, tente, por que não?
Marina limpou os joelhos depois de se levantar do chão e, com ar sereno e alegre, decidida em ser breve começou a explicação:
- Escuta, há um Cara lá em cima olhando por todos nós. Criou os homens e plantas e tudo o que há na Terra, nos céus, no mar. De leste a oeste, do sul ao norte.
- Criou inclusive a morte?
- Sim.
- E a doença, a alforra, o frio e o mal de toda a sorte?
- É! Mas nós homens quem fazemos com que essas coisas aconteçam!
- E Ele, se quiser, não impede?
- Impede, mas não quer. Espera que nós façamos as coisas boas. Tanto o homem quanto a mulher.
- Mas sabe que não faremos...
- Mas fazemos!
- Nós sim! Mas, imaginemos: há tanta gente que não faz!
- Mas os outros são os outros! Temos que fazer nossa parte rapaz!
Rui gostava de argumentos e Marina, de birrentos.
- O que está plantando? - Rui recomeçou.
- Rúcula. - Marina revelou.
- Exemplificando: De que adianta você plantar e esperar, se Deus mandar nevar?
- É sinal que não era hora do plantio.
- Nossa, mas que Deus doentio!
- Mas Ele não vai mandar! E, se o fizer, temos com o que nos sustentar.
- Vocês sim mas, imagine, imagine por um só instante que sua família precisasse do fruto e viesse o inverno congelante. Morreriam todos de fome? Seria esse o destino de uma família de bem? Que coisa agoniante!
- Ele sabe o que faz. Se acontecesse, teria um motivo.
- Ah... Que argumento mais furtivo. À mim isso faz tanto sentido quanto orar às próprias frutas. É isso Marina! Coisas fajutas por fajutas, ore às rúculas!
- Rui! Oras ore às rúculas... Que coisa imbecil de se dizer. E rúcula nem é fruta!
- Imbecilidade é crer! Acreditar sem ter provas... Parvoíce chula!
- E você não acredita mesmo em Deus?
- Deus não existe! Pensar nesta hipótese é babaquisse!
- Hmm... E qual prova tens disso? - Rui corou - Que foi? Vai me dizer que é uma crendice?

Entendendo as Pessoas

Posted by Fernando Batista On 0 comentários

Hoje a tarde só não foi inútil pois aprendi uma lição importante com meu ócio: Devo deixar de tentar entender as pessoas e buscar me compreender. Tornar-me objeto de minha própria reflexão.

O que move o universo é busca incessante pela compreensão de seu próprio funcionamento. A superação constante da infinita ignorância que nos cerca. Estamos no escuro em uma luta contra o escuro.



Cheguei a uma conclusão sobre nosso objetivo: A função dos humanos é extender ao máximo sua existência. O que fazemos entre o nascimento e a morte não passa de uma busca por distrações. A partir do momento em que perceber isso como verdade perceberá a essência de toda a obra e a diretriz de todo pensamento humano. Ignore como tudo começou e imagine que não há um Paraíso (é fácil se você tentar ♫ ), faça isso um momento antes de continuar a leitura e reflita sobre seus objetivos na vida. Percebeu como seu cérebro escolhe uma das três alternativas:
1) Ignorar o que está sendo dito, pois você não consegue se livrar das amarras que a religião lhe impôs, então crê na existência de um Objetivo Maior, ao mesmo tempo em que planeja ir fazendo suas coisas conforme o tempo passa;
2) Se consegue imaginar, logo busca uma motivação. Para que seguir em frente se só existe a morte a esperar? Ainda que aceite bem este destino, você continuará com seus planos para o tempo de vida. Romantismo à parte, precisamos sonhar. Necessitamos de metas a cumprir;
3) Você ignora completamente todo questionamento a respeito disso, pois já entendeu que estamos vivos por um acaso, e não há objetivos maiores senão aproveitar esse tempo.

Ainda que houvesse, não mudaria em nada a forma como agimos. À excessão do próprio Ser Superior (ou de alguma outra raça superior) demonstrar seu poder abertamente para o mundo inteiro, e.g., "uma fala com voz de trovão ser ouvida por cada ser na Terra", "uma cidade ser dizimada por aliens", etc. E quando digo abertamente quero dizer algo que ocorra sem a necessidade de uma interpretação de pastor ou fiel. Uma pequena observação: Para muita gente, crer em algo é essencial para que tudo faça sentido. Então, se tem um propósito positivo e não fere o direito dos outros, não considero errado. E, aos que se sentiram pessoalmente ofendidos com essa descrença na sua crença, saiba que é normal sentir raiva. Afinal de contas, não crer no mesmo que você significa não realizar todo o esforço que faz para manter sua fé.

Outra Pequena Observação: Fé é crer sem precisar dar explicações ou motivos. Eu, por exemplo, por mais que não pareça tenho fé na existência de Deus. Mas não preciso converter metade do mundo por causa disso.

O engraçado é que, independente da crença, você se habitua tanto aos seus hobbies/trabalhos que passa a não pensar mais sobre o assunto 'motivação pessoal da própria existência'. Exemplificarei para ficar mais claro o que quero dizer quando afirmo que nós, humanos, estamos cegos por nossas ocupações.

Exemplo:

ZOOM(++)
Em um jogo de futebol, os jogadores entram em campo, a torcida está lá, animada, gritando, cantando e acendendo fogos. Pais e filhos se divertirão em seguida, pois o jogo está pra começar. Onze de cada lado, regras claras, o juiz apita, iniciando a partida. Eles correm atrás da bola e tocam para seus parceiros, a bola deve atravessar o retângulo no outro lado, os jogadores devem a chutar para lá, mas tem alguém que pode a pegar com a mão, frustrando esse objetivo, os outros jogadores não, esses só podem usar os pés. Habilidade e treino duro são necessários, os jogadores de times famosos ganham muito bem para que seus times ganhem em campo. Intervalo, os treinadores orientam nos vestiários, início do segundo tempo. Mais correria, mais suor, mais gritos e tensão. Fim de jogo. Um time ganhou, o outro não. Quem perdeu fica triste. Os vencedores saem de campo, com uma incrível sensasão de missão cumprida, para contarem à mídia o quanto estão satisfeitos com a vitória, que o time deu tudo de si e, apesar do adversário ser bom, conseguiram, graças a Deus, vencer. (A fala é pontuada por coceiras no nariz, pigarros e cuspidelas) E agora é continuar treinando pro próximo desafio.
ZOOM(+)
Por vezes finalizam as estrevistas mandando um beijo pra família, sua motivação.
ZOOM
Agora os jogadores estão em processo de diversão, comemoração... Em um jantar num restaurante fino, pago pelo diretor do time, por exemplo. O esforço investido está sendo recompensado para que eles se esforcem da mesma forma, ou mais, para que ganhem no próximo jogo.
ZOOM(-)
Perceba como não discutiram as regras do jogo durante a partida. Podem ter reclamado uma vez ou outra, mas estavam realizando sua ocupação, então não interessa que o  objetivo de chutar a bola no gol o máximo de vezes possíveis seja, em si, um ato sem sentido. O que lhes interessa é que conseguiram! E ganham muito bem para que consigam. O que está sendo avaliado aqui não é o certo e o errado em se jogar futebol, mas com qual intuito eles fazem isso.
ZOOM(- -)
Jogar lhes dá dinheiro, que os permitem se ocupar com outras coisas que os divirtam, que paga médicos, boa alimentação, enfim... Que os permitem viver mais e de forma mais confortável, alguns extendem isso para suas famílias. E voltamos ao objetivo inicial, que pedi para que refletissem a respeito no início: A função dos humanos é extender ao máximo sua existência. O que fazemos entre o nascimento e a morte não passa de uma busca por distrações.

Assim são os humanos, não discutem as regras do jogo, durante o jogo, simplesmente correm, suam e dão o máximo de si para que vençam na vida, algo que não faz sentido algum mas que por alguma razão os fazem se sentir muito bem.

Matanza - Em Respeito ao Vício

Posted by Fernando Batista On 0 comentários








Me sociabilizo até bem, mas sempre que posso evito. Porque eu sei que o menor atrito pode um mecanismo acionar. Melhor deixar como está por aqui pra não ter que contar com o destino. Eu não tiro a razão do assassino em vários casos que vi. Mundo horrível! Gente desprezível! A quem vou me justificar?

(...)


Eu não sei se o que eu penso está certo ou se eu parto de um mal julgamento, pois metade do mundo eu não quero por perto e a outra metade eu lamento. Eu não fiz esse mundo ruim mas talvez eu ajude a deixá-lo pior. Devo ser um monstro sem dó porque na verdade eu não to nem aí.

Mundo horrível! Gente desprezível! A quem vou me justificar?

Carta à menina morta

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Texto antigo... Se não me engano é de 2000.

Vai-se embora mais um dia,
Toca-se a Ópera da Morte...
Ouça o silêncio que se irradia
Enquanto anda em busca de sorte.

Não cansa dessa aliança?
Proposta de um mundo vazio...
Nos dizem para ter esperança
Mas sei que tudo deve ser frio.

Tão distante de tudo estou...
Não queria que queimasse assim.
Por tanto tempo busquei e veja o que sobrou,
Um grande vazio dentro de mim

Por que não se pode sorrir de alegria?
O amor foi um dia algo tão bonito...
Não suporto estes surtos de nostalgia...
...pois é como buscar luz no escuro infinito.

Onde houve esperanças de paz
Hoje há dores e gritos
Sei que em algum lugar teu amor jaz.
Por que não busca o Remédio dos aflitos?!

Linda mulher menina moça
Sei que sente-se perdida
Antes reclamava da louça suja
Hoje reclama de tudo na vida!

Talvez prefira se jogar no abismo da dor
Caso decida por isso nada poderei fazer
Mas nunca diga que por ti ninguém nunca sentiu amor
Porque seria uma feia mentira a se dizer.

"Que minha amiga enterrada nos seus olhos de alumínio descanse em paz."

Queria destruir algo bonito hoje

Posted by Fernando Batista On 0 comentários



Tyler Durden - Fight Club, 1999

Demência Niilista

Posted by Fernando Batista On 0 comentários



Aos poucos me enclausuro no casulo criado pela sonolência de uma existência vazia. E, ainda que tentado pelo conhecimento, me vejo sonolento e isto por si só destrói a falsa vontade de continuar vivendo. Aos poucos fecho os olhos, vou morrendo, embebido por esse câncer de saber que nada há. E desse viciante néctar niilista me embriago, cada vez mais ciente de que nada se pode afirmar. E tudo me enoja e me faz querer vomitar, já não quero ver pessoas, acho ridículo até esse estranho ato de rimar. Já não mais quero ler, já não mais quero respirar, já não quero nem querer pois sei, ou acho que sei, que o próprio querer é uma ilusão criada por um gnomo pra nos enganar.

Do not try to bend the spoon — that's impossible.
Instead,only try to realize the truth: there is no spoon


Oh, existência vazia! Oh, engano! Oh, malditos oh's que preenchem textos sem sentidos de blogs inexistentes. Queria eu poder querer que o que todos quisessem fosse, ainda que sem querer, querer que o querer independesse do que quero. Nada existe, você não existe, eu não existo, não existe texto, nem ao menos algum comentário existirá. Não há mouse, não há cliques, não há colher. Nada há.

Madrugada de Inverno

Posted by Fernando Batista On 0 comentários

Madrugada solitária de inverno. Estou deitado e sem sono, estranhando a falta de novidade nisso enquanto alguns mosquitos me imploram a morte, voando bem perto...



Só de maldade os deixo viver, batendo contra a parede branca, confusos, sem saberem onde é a saída desse quarto miúdo, cujo os únicos refúgios da luz são embaixo da cama e dentro da minha alma. De repente, como se por milagre, nada acontece, e tudo continua exatamente na mesma agradável monotonia em que estava. As horas passam, o sono não chega, alvorece.


O tempo não parou junto com os sons da noite, sei disso, mas eles deram lugar a barulhos de motores esquisitos, e é como se tivesse parado, pois me sinto dormindo-acordado de dia, e, acreditem, tem gente que anda de carro e acha isso errado. Essas pessoas barulhentas passam na minha rua o tempo todo com seus carros, algumas vão trabalhar, para ganhar dinheiro para alimentar os filhos para que eles depois trabalhem e ganhem dinheiro pra comprarem um carro. Dizem que as pessoas que querem viver o suficiente para comprarem o seu devem dormir direito, então acho que não terei um automóvel. Não por falta de vontade de viver, mas por estar preso a noite e ao mesmo tempo estar condicionado a ter que conviver com os que se consideram normais, e desperdiçam suas madrugadas dormindo enquanto a mais bela sinfonia é tocada, e a mais fantástica mágica, a do orvalho pousando sobre as folhas, acontece, enquanto a magnífica obra do quarto dia é exposta no manto negro que reveste o milenar firmamento... Como pode o mundo dormir a noite?
Tudo bem... Compreendo que estou meio errado, os ateus poderão dizer que até meu deus dormiu todo santo dia (mesmo antes de criarem a definição do que é um dia), amigos preocupados... Outros podem achar a morte precoce é motivo suficiente para que repousemos, oras, como posso eu, um mero mortal, ficar acordado? Devo morrer toda noite, como todos morrem, de bocado em bocado...
Quer saber, o mundo inteiro deve estar certo, vou dormir, para estudar, para ganhar meu diploma, pra estudar mais, para trabalhar, pra ganhar outro diploma, fazer uma montanha de certificados, e poder ganhar dinheiro pra comprar meu carro. Porque, por menos previsível que eu seja a curto prazo, às vezes me sinto mais um desses mosquitos motorizados batendo a cara contra a parede branca de um quarto pequeno numa noite de inverno.

Doce

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Desde cedo gostamos do que é doce
e, ao crescermos, surgem exceções.
Ao crescermos, conforme mudam os desejos, nos atraimos cada vez mais pela carne.
O desejo que sentimos cada vez mais pela carne às vezes está carregado de veneno.
O veneno que carregamos recheia nossa carne, que é por natureza traiçoeira...
E descobrimos ao final de toda essa tragédia iminente o quanto esse veneno é doce.
E a troca de venenos não mata, mas faz o contrário...
E tudo o que somos de repente não passa de desejo, carne, veneno e doce.

Pessoas Engraçadas

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Algumas pessoas são fúteis engraçadas...Elas passam seus dias frustradas, reclamando por não encontrarem alguém que as valorizem... Mas procuram só as erradas! Sabe a que conclusão cheguei após muito observar? Que essa é uma forma muito FÚTIL agradável de confortar sua consciência.

Funciona assim: Procura-se a pessoa errada (aquele musculoso de cabeça oca que você fantasia que crescerá, ou aquela linda mulher que, apesar de ter saído com metade da cidade, você jura que mudou contigo). Até que um dia a pessoa enjoa e quer partir pro próximo pedaço de carne cai na real e vê que a outra não é bem aquilo desejava! E parte pra outra! Pra próxima pessoa da fila... E pra próxima... E pra próxima... Sim, porque hoje em dia as pessoas têm fila, não coração.

-Pegue sua senha e vá para o final - é o que dizem, mas as vezes o final não é assim tão distante quanto pensam.


E eu achava que minhas piadas eram ruins


E você acha que por não terem tantos pretendentes a próximo dão o braço a torcer?! Não mesmo! Afinal de contas elas são o que são, não o que dizem e se não gostou tem quem goste entre tantos outros clichês.

O incrível não é que existam pessoas assim, mas o fato de estarem sempre olhando em volta e reparando como a outra é galinha, como o outro é idiota. E, por vezes, culpando O MUNDO por serem infelizes!!! Sim, a culpa é delas e elas põe em quem quiserem, incluindo o MUNDO! Convenhamos... É bem mais fácil culpar todo o resto do universo que mudar sua forma de tentar ver os fatos uma vez que seja, não?

Talvez essas palavras não lhe tenham dito nada, mas se você parar pra pensar nos próprios atos quando for chamar alguma garota de biscate (ou algum cara de babaca) de novo, terá valido a pena.

Contente de tão triste

Posted by Fernando Batista On 0 comentários

É o último nível de tristeza. Quando se leva golpes e mais golpes, na testa, no coração, pulmões são arrebentados por essa falta de ar que os murros do destino são são tão hábeis em causar...


Não estranhe quando já não houver mais esperanças de sorriso e quando a noite te sufocar com os dedos negros da solidão e você, num acesso de loucura, sorrir. Com a boca escorrendo sangue esboçamos a mais doentia expressão de insanidade, a expressão mais graciosa de quem foi torturado o bastante a ponto de ignorar toda a dor: o sorriso.

Velhos choram nas ruas... Mendigos pedem esmolas... Bêbados cantam suas tristezas afogados no fundo de um copo sujo de um bar podre numa cidade imunda... Mortos antes do tempo, todos eles, e nem ao menos lhes contaram. Mas todos eles, de tristeza, sorriem.

Já é tarde. Taparam nossos olhos enquanto crescíamos curiosos pra espiar a dor do outro e pensávamos ainda num jeito de cuidar de todos. Hoje já não tapam, não precisam, crescemos, sabemos tapar nossos próprios olhos. Aprendemos a estancar todo o sangramento que escorre por essas feridas abertas que chamam de ouvido.

Há quem use a expressão "chorar de rir" quando algo é muito engraçado... Para a tristeza vale o oposto, "rir de chorar"... É a irônica linha dos sentimentos completando seu círculo vicioso... Choramos de rir quando a situação não pode ser melhor, rimos quando a situação é boa, estamos normais em boa parte do tempo, choramos quando tudo vai mal... Mas quando tudo está realmente uma merda que não pode ser consertada, e nos vemos no fundo do escuro poço do desespero - eis a parte mais irônica do círculo - voltamos a sorrir!

Vejam só que curioso! SORRIMOS! Escondemos as lágrimas enquanto engolimos todas as tristezas outrora vomitadas... Sorrimos enganando aos outros, e os protegemos de nossa tristeza e protegendo a nós mesmos de ver mais gente triste assim, isso só pioraria as coisas. É um sério mecanismo de defesa tal sorriso (o de tristeza), forte o bastante para que ninguém perceba que algo vai mal. Poderoso o suficiente para ninguém se incomodar e podermos enfim relaxar buscando pensar em nada...

Isolamo-nos em nosso mundo de sofrimento e esquecemos de todos que se preocupam. E culpamos o mundo choramingando pro travesseiro, coitado do travesseiro. E nos questionamos de tal abandono, e berramos de ódio e de stress e de nojo de tudo. De repente odiamos tudo aquilo que queríamos proteger e nem sabemos ao certo o porque. Dormimos. A dor passa um pouco...

Aos poucos voltamos os pés ao chão, deixando o inferno interior queimar no esquecimento da noite passada... Plantamos um sorriso outra vez no rosto e levantamos, pedaços de carne contentes de tão tristes, para superar mais um dia nesse sombrio caminho misterioso que nosso próprio orgulho traçou e que insistimos em seguir às cegas, sozinhos, reclamando.