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Solidão

Posted by Fernando Batista On 0 comentários




Dica: Leia ouvindo http://tinyurl.com/the-dragons-breath



Fui aprisionado nas masmorras de meus próprios temores há muito tempo atrás, quando meus sonhos ainda não eram fortes o bastante para suportar o peso do mundo real. Desde então, busco não pisar além das fronteiras de minhas poucas certezas. Nesse vazio solitário nunca soube ao certo o que aconteceria, mas sempre tive a sensasão, que alguns chamam de esperança, de que em algum momento a situação melhoraria e eu sentiria algo melhor do que o frio desolador que há tanto tempo consumia minha mente. Sozinho em meus próprios devaneios, afogado em minhas ilusões tão ideais, perdi a noção do tempo, então não pude precisar o momento em que tudo aconteceu: o dia no qual senti um sopro de força de vontade vindo das trevas - ou talvez fosse só a morte sussurrando palavras doces que não pude compreender.

Arrisquei sair daquele lugar úmido e sombrio. Como cajado usava as palavras que ecoavam pelo túnel negro das incertezas. Busquei acreditar que eram ecos amigáveis e salvadores, pois nada me restava além de crer que só coisas melhores que a desolação eterna me aguardavam ao fim da jornada. Alguns dos sons, frios e cortantes, me assombravam enquanto outros, mansos e graves, acalentavam minha alma e me instigavam a prosseguir caminhando. Nem melhor, nem pior, buscava simplesmente algo novo.
As palavras sussurradas ao longo do tempo ganhavam força e a língua começou a tomar forma em minha mente. Comecei a compreender alguns trechos do que me diziam: "Uma longa jornada começa com um breve passo", "Não há glória sem sofrimento", "Continue, mais forte, melhor, mais resistente, sobreviva, lute, bom...", "A justificativa do seu passo é a possibilidade de um próximo passo", "Se quer paz, prepare-se para a guerra"... Nem todas me encorajavam, mas cheguei à brilhante conclusão que a intenção das vozes não era me dizer coisas bonitas, mas me provocar. Me provocavam a continuar caminhando. E, conforme andava, minhas pernas doíam e cada célula do meu organismo clamava por descanso, mas o ar tornava-se mais puro, meu corpo mais resistente e graças à essa idéia fixa de buscar algo diferente, não desisti. Caminhei durante meses, ou ao menos o que me pareceram meses, aos poucos passou a ser possível discernir lodo de tijolos, ratos de pedras, fé de força de vontade. Finalmente cheguei ao fim do túnel, ele dava para a encosta íngrime de uma montanha cercada por uma imensa floresta.
Meu destino repousava em dúvidas, apesar de eu ter conseguido escapar do túnel negro do medo. Sonho e realidade mesclaram-se num só elemento, o que eliminava a chance de existir qualquer certeza. Restou-me o incerto: Um novo horizonte, repleto de inúmeras questões e obstáculos me aguardava. Naquele momento soube que o ar enchia meus pulmões por algum motivo. Não foi em vão que desenvolvi mais resistência, força e sabedoria - elas seriam necessárias fora da minha antiga zona de conforto.
Finalmente, percebi que meu caminho é solitário, independente de quantas vozes na minha cabeça possam me contar suas experiências, aconselhar-me ou proferir insultos e provocações. Depende de mim caminhar ou me deitar, inútil, acelerando os passos da morte em minha direção.
Naquele momento um sorriso brotou em meus lábios de rocha pela primeira vez em muitos anos. Meus músculos doíam. Finalmente sentia algo novo e, inesperadamente, bom. Descobri que sou livre.



Atualizando em 14/02/2015, porque né.


Desenhos da Emilly.

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