Não me incomoda o comodismo das pessoas na fé - na verdade a fé foi feita para ser cômoda mesmo: você acredita, não prova a existência do que acredita e seu direito de crença é amparado por lei - o que incomoda é essa raiva que os fanáticos religiosos sentem ao ouvirem alguém pondo em cheque a lógica-cristã.
Exemplo: Se uma criancinha foi salva de uma doença gravíssima os fiéis: dão Graças a Deus! Mas milhões de criancinhas morrem de fome todos os dias... E certamente se usarmos a mesma lógica e dar graças a Deus, seríamos apedrejados com ódio e violência cristã.
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| Deus não te deu o dom de pensar, duvidar e argumentar só pra te mandar pro inferno |
Por que não dar graças pelas mortes das criancinhas também? Deus permitiu que morressem assim como permitiu que a garotinha fosse salva. Pela lógica-cristã a gente tem a obrigação de agradecer tudo. Ele, Deus, tem seus motivos, somos nada comparado à Inteligência Divina, agradeçamos a Tudo!
Compreenda que não tenho a intenção de ofender sua inteligência, mas te fazer refletir a respeito do seguinte:
Ilógico é tentar encontrar lógica para sua fé!
Simplesmente creia (ou não creia), isso basta. Você não tem a obrigação de ser fanático só porque alguém HUMANO disse que você tem. Você não é obrigado a dar sentido à tudo o que está escrito seja em qual livro for. Proponho que ao invés de deixarmos nosso ego bradar: É ASSIM SIM! DO JEITO QUE ME DISSERAM QUE É A VIDA INTEIRA! E VAI CONTINUAR SENDO! Deixemos o nosso bom senso reinar... Para que tenhamos paz de espírito, basta que façamos o bem, realizemos boas obras, ajudemos quem precisa... Seja pelo motivo que for. Não precisamos carregar uma bandeira escrito 'Igreja Multidimensional dos Vários Universos Paralelos de Deus', façamos o bem pelo bem!
Olha aí, a raiva estava brotando no seu coração. Deus não gosta disso! Reprima essa raiva aí! Engula seu orgulho! O fanatismo religioso só leva à guerras, destruição e inúmeras contradições com a própria crença. O dia que as pessoas conseguirem continuar com suas fés e rir de alguns aspectos de sua religião, os que não fazem sentido algum, sem sentir medo do inferno ou culpa porque sua religião (ou sua igreja ou seu pastor ou seu ego) é intocável e indiscutível ou no dia que simplesmente pararem de sentir raiva de quem argumenta com pontos de vistas diferentes de suas fés cegas quem sabe o mundo se torne um ambiente mais pacífico e mais coerente com a paz que todas as religiões pregam.
Se a primeira coisa que pensou ao ler o título foi: 'Não tenho, não!' Então o texto é em especial pra você. Desconhecemos a identidade do primeiro idiota a juntar essas palavrinhas e começar a criar leis aleatoriamente. Suspeito que o uso do "tem que" faz parte da humanidade desde as eras mais remotas de nossa existência quando, em bandos, urrava-mos para qualquer estranho que adentrasse nosso território.
Esse foi o 'tem que' mais antigo:
Não são exatamente as palavras, mas a forma como são ditas que me incomodam. Quando são um alerta cuidadoso 'Tem que dormir melhor' ou claramente uma sugestão 'Cara, você tem que ver esse filme!' tudo bem, mas as pessoas normalmente usam essas palavras como ordem: 'Você TEM QUE sair mais', nesses momentos dá vontade de ser mal educado: "PORRA! E se eu não quiser?! Não tenho que fazer algo só porque disse que tenho!"
Mas fomos ensinados a ser educados com as pessoas, então simplesmente nos calamos ao ouvir essas ordens vazias: 'tem que dar risada dos problemas, tem que ir pra igreja, tem que gostar de um esporte, tem que assistir mais tv, tem que fazer a tarefinha'. NÃO, NÓS NÃO TEMOS!
O que é imprescindível (ou seja, realmente tem que ser feito):
- Alimentarmo-nos;
- Beber água;
- Fazer cocô e urinar.
Opcional
Existem situações desejáveis, tais como ter uma vida social, sexual e financeira relativamente boas. Para alcançar tais objetivos é necessário fazer por onde. Aí sim o 'tem que' faz sentido, quando há uma condição:
"SE você quiser ser saudável TEM QUE cuidar da sua saúde"
"SE você quiser enriquecer de maneira lícita TEM QUE trabalhar muito"
"SE você quiser passar de ano na escola TEM QUE fazer as tarefinhas"
E qual seu objetivo falando isso tudo Fernando?
Bem como o objetivo de todos os outros textos: Expor o que penso e mudar o mundo. Bom, ao menos meu mundo, o mundo composto pelas pessoas que conheço e que virei a conhecer. Se achou que fui repetitivo é porque compreendeu a idéia desde o início: é chato ouvir o 'TEM QUE' mal empregado! Deveríamos pensar melhor a respeito de quando faz sentido usar essa expressão.
Dica: Leia ouvindo Celtic Circle - Dragon's Breath
Fui aprisionado nas masmorras de meus próprios temores há muito tempo atrás, quando meus sonhos ainda não eram fortes o bastante para suportar o peso do mundo real. Desde então, busco não pisar além das fronteiras de minhas poucas certezas. Nesse vazio solitário nunca soube ao certo o que aconteceria, mas sempre tive a sensasão, que alguns chamam de esperança, de que em algum momento a situação melhoraria e eu sentiria algo melhor do que o frio desolador que há tanto tempo consumia minha mente. Sozinho em meus próprios devaneios, afogado em minhas ilusões tão ideais, perdi a noção do tempo, então não pude precisar o momento em que tudo aconteceu: o dia no qual senti um sopro de força de vontade vindo das trevas - ou talvez fosse só a morte sussurrando palavras doces que não pude compreender.
Arrisquei sair daquele lugar úmido e sombrio. Como cajado usava as palavras que ecoavam pelo túnel negro das incertezas. Busquei acreditar que eram ecos amigáveis e salvadores, pois nada me restava além de crer que só coisas melhores que a desolação eterna me aguardavam ao fim da jornada. Alguns dos sons, frios e cortantes, me assombravam enquanto outros, mansos e graves, acalentavam minha alma e me instigavam a prosseguir caminhando. Nem melhor, nem pior, buscava simplesmente algo novo.
As palavras sussurradas ao longo do tempo ganhavam força e a língua começou a tomar forma em minha mente. Comecei a compreender alguns trechos do que me diziam: "Uma longa jornada começa com um breve passo", "Não há glória sem sofrimento", "Continue, mais forte, melhor, mais resistente, sobreviva, lute, bom...", "A justificativa do seu passo é a possibilidade de um próximo passo", "Se quer paz, prepare-se para a guerra"... Nem todas me encorajavam, mas cheguei à brilhante conclusão que a intenção das vozes não era me dizer coisas bonitas, mas me provocar. Me provocavam a continuar caminhando. E, conforme andava, minhas pernas doíam e cada célula do meu organismo clamava por descanso, mas o ar tornava-se mais puro, meu corpo mais resistente e graças à essa idéia fixa de buscar algo diferente, não desisti. Caminhei durante meses, ou ao menos o que me pareceram meses, aos poucos passou a ser possível discernir lodo de tijolos, ratos de pedras, fé de força de vontade. Finalmente cheguei ao fim do túnel, ele dava para a encosta íngrime de uma montanha cercada por uma imensa floresta.
Meu destino repousava em dúvidas, apesar de eu ter conseguido escapar do túnel negro do medo. Sonho e realidade mesclaram-se num só elemento, o que eliminava a chance de existir qualquer certeza. Restou-me o incerto: Um novo horizonte, repleto de inúmeras questões e obstáculos me aguardava. Naquele momento soube que o ar enchia meus pulmões por algum motivo. Não foi em vão que desenvolvi mais resistência, força e sabedoria - elas seriam necessárias fora da minha antiga zona de conforto.
Finalmente, percebi que meu caminho é solitário, independente de quantas vozes na minha cabeça possam me contar suas experiências, aconselhar-me ou proferir insultos e provocações. Depende de mim caminhar ou me deitar, inútil, acelerando os passos da morte em minha direção.
Naquele momento um sorriso brotou em meus lábios de rocha pela primeira vez em muitos anos. Meus músculos doíam. Finalmente sentia algo novo e, inesperadamente, bom. Descobri que sou livre.
Atualizando em 14/02/2015, porque né.
Atualizando em janeiro de 2018, porque né².
Desenhos da Emilly.
A disciplina de Estágio Obrigatório trouxe inúmeras novas experiências para a minha vida acadêmica. Se eu pudesse indexar uma trilha sonora, seria essa seleção abaixo, cada música para uma aula:
Track 01 - Also Sprach Zarathustra
Data: Quinta-feira, 28 de Abril
LINK: http://tinyurl.com/als0-sprach-zarathustra
Track 02 - Roger Waters - Confortably Numb
Data: Segunda-feira, 02 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/c0mfortably-numb
Track 03 - Bad Religion - Delirium of Disorder
Data: Quinta-feira, 05 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/delirium-0f-disorder
Track 04 - Pink Floyd - Sorrow
Data: Segunda-feira, 09 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/s0rrow
Track 05 - Michael Jackson - They don't care about us
Data: Quinta-feira, 12 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/they-d0nt-care-about-us

Track 06 - System of a Down - Aerials
Data: Segunda-feira, 16 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/a3rials
Track 07 - Slipknot - Wait and Bleed
Data: Quinta-feira, 19 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/w8-n-bleed
Track 08 - Marilyn Manson - Highway to Hell
Data: Segunda-feira, 23 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/highway-t0-hell
Track 09 - Shakira - Waka Waka
Data: Quinta-feira, 26 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/waka-wak4
Track 10 - Catano Veloso - Alegria Alegria
Data: Segunda-feira, 30 de Maio
LINK: http://tinyurl.com/alegri4-alegria
Track 11 - Eagles - Learn to be Still
Data: Quinta-feira, 02 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/learn-to-be-still
Track 12 - Arturo Sandoval - Windmills of your Mind
Data: Quinta-feira, 09 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/windmills-of-your-mind
Track 13 - Pink Floyd - Another Brick in the Wall
Data: Segunda-feira, 13 de Junho
LINK: http://tinyurl.com/an0ther-brick-in-the-wall
Marina brincava no canteiro dos seus pais. Ela começou a cultivar essa nova paixão há algum tempo. Antes vivia apenas para a igreja e a escola, mas criava vida em seu quintal no momento. Plantas, vegetais de toda sorte e tamanhos ocupavam suas tardes ensolaradas de verão. "Que cresça saudável e forte" orava por todo o lote, "Que o Senhor livre meu plantio do mal, do frio e da morte".
- Oras Rui, mal-educado, por acaso não sabeis que orar não é errado?
- Disso sei pequena tola, mas sabes pelo que oras?
- Sim sei, é por minha horta, para que não haja alforra.
- Que é isso?
- O que? Alforra?
- É, diga logo p...
- É doença! Doença de planta, que mata! E não quero que minha horta morra.
- E orar ajuda em que?
- Se não crê não pode entender. - não argumentar o irritava a valer.
- O que é crer?
- Acreditar sem provar.
- E porque pensas que não posso acreditar? Por ser lógico e são?
- Não! Porque já me disse que é ateu, e não cristão.
- Foi o que disse, mas, enfim... Sou um ateu mente-aberta. Se me mostrar que faz sentido e eu ver que está certa mudo minha opinião. Dou-te por bem entendedida e deixo de ser brincalhão.
- Será que vale a pena explicar pra você?
- Oras, tente, por que não?
Marina limpou os joelhos depois de se levantar do chão e, com ar sereno e alegre, decidida em ser breve começou a explicação:
- Escuta, há um Cara lá em cima olhando por todos nós. Criou os homens e plantas e tudo o que há na Terra, nos céus, no mar. De leste a oeste, do sul ao norte.
- Criou inclusive a morte?
- Sim.
- E a doença, a alforra, o frio e o mal de toda a sorte?
- É! Mas nós homens quem fazemos com que essas coisas aconteçam!
- E Ele, se quiser, não impede?
- Impede, mas não quer. Espera que nós façamos as coisas boas. Tanto o homem quanto a mulher.
- Mas sabe que não faremos...
- Mas fazemos!
- Nós sim! Mas, imaginemos: há tanta gente que não faz!
- Mas os outros são os outros! Temos que fazer nossa parte rapaz!
Rui gostava de argumentos e Marina, de birrentos.
- O que está plantando? - Rui recomeçou.
- Rúcula. - Marina revelou.
- Exemplificando: De que adianta você plantar e esperar, se Deus mandar nevar?
- É sinal que não era hora do plantio.
- Nossa, mas que Deus doentio!
- Mas Ele não vai mandar! E, se o fizer, temos com o que nos sustentar.
- Vocês sim mas, imagine, imagine por um só instante que sua família precisasse do fruto e viesse o inverno congelante. Morreriam todos de fome? Seria esse o destino de uma família de bem? Que coisa agoniante!
- Ele sabe o que faz. Se acontecesse, teria um motivo.
- Ah... Que argumento mais furtivo. À mim isso faz tanto sentido quanto orar às próprias frutas. É isso Marina! Coisas fajutas por fajutas, ore às rúculas!
- Rui! Oras ore às rúculas... Que coisa imbecil de se dizer. E rúcula nem é fruta!
- Imbecilidade é crer! Acreditar sem ter provas... Parvoíce chula!
- E você não acredita mesmo em Deus?
- Deus não existe! Pensar nesta hipótese é babaquisse!
- Hmm... E qual prova tens disso? - Rui corou - Que foi? Vai me dizer que é uma crendice?





