Uma das coisas mais difíceis é ser avaliado. Pois aí é preciso ignorar todo mundo que fala "vai dar errado", além de aguentar a pressão de gente que você ama falando que vai dar tudo certo. Porque aí, se der errado, as pessoas vão dizer "eu te avisei" por um lado e por outro ficarem desapontadas.
Isso sinceramente não me acalma.
Escolhi focar no caminho do meio e buscar fazer o melhor que consigo. Deus me ajude que o meu melhor seja o suficiente para meus avaliadores.
Diante da noite, recosto-me no colchão em meio aos sons noturnos, um leve ruído de pios, latidos e cricrilares. Até que fecho os olhos e ela vem...
De repente é como se eu, com cama, lençol e travesseiro, estivéssemos, ao mesmo tempo, parados e sendo carregados por uma enxurrada de ideias, preocupações e sensações...
Caso se pergunte: "Por que você só não fecha os olhos e dorme?" Peço que se imagine fazendo a mesma pergunta para alguém sobre um colchão sendo arrastado por uma forte enxurrada.
Numa dessas noites estranhas, meu relógio biológico deve ter molhado e está meio desregulado. Venho tentando consertar, mas esse tipo de conserto não é do tipo que se paga alguém para fazer. Preciso consertar eu mesmo. Mas to achando que faltei a todas as aulas de como consertar um relógio biológico que tenha sido estragado por uma enxurrada de pensamentos noturnos...
Mas não vou desistir, quero consertar, vou aprender sozinho, não interessa quantas noites em claro eu precise passar estudando! Porque é urgente aprender isso, assim como é urgente concluir as correções da minha dissertação, como é urgente fazer dieta, malhar, perder peso, trabalhar, ganhar dinheiro, relaxar, tirar férias, arrumar meios de me proteger e proteger a quem amo, agir normalmente, e, óbvio, arrumar meus defeitos todos... Opa! Fui pego de novo pela enxurrada nesse último parágrafo...
Boa noite!
Sugestão de Música: Apocalipse Now
A cultura viral tchutchativista nasceu do Tchan de uma égua pocotó, e desde então tem dominado, tá tudo dominado: Televisão, internet, famílias inteiras... Autotrófica, alimenta-se dos excrementos que produz e se alastra exponencialmente por infecção cerebral, atingindo profissionais dos mais diversos ramos. Devido ao baixo nível intelectual necessário para que sobreviva e a facilidade de transmissão, essa cultura cancerígena simbiótica ganhou massa zumbi o suficiente pra se tornar imortal. As pessoas aguardam em vão o aparecimento de seres externamente monstruosos em busca de cérebro, o apocalipse zumbi já começou e você está cercado!
O POVO odeia ouvir o quanto é preguiçoso e burro;
O POVO dá tudo que tem pros pastores;
O POVO mata e morre por futebol;
O POVO não gosta de estudar;
O POVO assiste Big Brother;
O POVO acha chato pensar;
O POVO acompanha novelinha;
O POVO ignora o que não é divertido;
O POVO só pensa em beber e curtir a baladinha.
Agora, vai me dizer que os políticos são os únicos responsáveis pela merda que está o país?! Ahhhhhhhh... O POVO brasileiro é HIPÓCRITA, CORRUPTO, IGNORANTE e aceita a massagem no ego que a televisão nos vende: A imagem de povo trabalhador e decente. Óbvio que há pessoas assim, mas estes são as exceções deste país doente!
Enquanto a maioria só se importar com o próprio umbigo, sem olhar ao redor e perceber que as outras pessoas influenciam no ambiente em que vivem, e encher a boca pra dizer: "Não importa os outros", "Cada um deve cuidar apenas da sua vida" entre outras frases clichês, o Brasil vai continuar o LIXO que está... A podridão vai continuar infestando tudo... Porque O POVO é preguiçoso e não liga de fuçar na lama em que vive!
Os políticos são apenas uma parcela desse POVO com poder nas mãos.
Hoje a tarde só não foi inútil pois aprendi uma lição importante com meu ócio: Devo deixar de tentar entender as pessoas e buscar me compreender. Tornar-me objeto de minha própria reflexão.
O que move o universo é busca incessante pela compreensão de seu próprio funcionamento. A superação constante da infinita ignorância que nos cerca. Estamos no escuro em uma luta contra o escuro.
Cheguei a uma conclusão sobre nosso objetivo: A função dos humanos é extender ao máximo sua existência. O que fazemos entre o nascimento e a morte não passa de uma busca por distrações. A partir do momento em que perceber isso como verdade perceberá a essência de toda a obra e a diretriz de todo pensamento humano. Ignore como tudo começou e imagine que não há um Paraíso (é fácil se você tentar ♫ ), faça isso um momento antes de continuar a leitura e reflita sobre seus objetivos na vida. Percebeu como seu cérebro escolhe uma das três alternativas:
1) Ignorar o que está sendo dito, pois você não consegue se livrar das amarras que a religião lhe impôs, então crê na existência de um Objetivo Maior, ao mesmo tempo em que planeja ir fazendo suas coisas conforme o tempo passa;
2) Se consegue imaginar, logo busca uma motivação. Para que seguir em frente se só existe a morte a esperar? Ainda que aceite bem este destino, você continuará com seus planos para o tempo de vida. Romantismo à parte, precisamos sonhar. Necessitamos de metas a cumprir;
3) Você ignora completamente todo questionamento a respeito disso, pois já entendeu que estamos vivos por um acaso, e não há objetivos maiores senão aproveitar esse tempo.
Ainda que houvesse, não mudaria em nada a forma como agimos. À excessão do próprio Ser Superior (ou de alguma outra raça superior) demonstrar seu poder abertamente para o mundo inteiro, e.g., "uma fala com voz de trovão ser ouvida por cada ser na Terra", "uma cidade ser dizimada por aliens", etc. E quando digo abertamente quero dizer algo que ocorra sem a necessidade de uma interpretação de pastor ou fiel. Uma pequena observação: Para muita gente, crer em algo é essencial para que tudo faça sentido. Então, se tem um propósito positivo e não fere o direito dos outros, não considero errado. E, aos que se sentiram pessoalmente ofendidos com essa descrença na sua crença, saiba que é normal sentir raiva. Afinal de contas, não crer no mesmo que você significa não realizar todo o esforço que faz para manter sua fé.
Outra Pequena Observação: Fé é crer sem precisar dar explicações ou motivos. Eu, por exemplo, por mais que não pareça tenho fé na existência de Deus. Mas não preciso converter metade do mundo por causa disso.
O engraçado é que, independente da crença, você se habitua tanto aos seus hobbies/trabalhos que passa a não pensar mais sobre o assunto 'motivação pessoal da própria existência'. Exemplificarei para ficar mais claro o que quero dizer quando afirmo que nós, humanos, estamos cegos por nossas ocupações.
Exemplo:
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Em um jogo de futebol, os jogadores entram em campo, a torcida está lá, animada, gritando, cantando e acendendo fogos. Pais e filhos se divertirão em seguida, pois o jogo está pra começar. Onze de cada lado, regras claras, o juiz apita, iniciando a partida. Eles correm atrás da bola e tocam para seus parceiros, a bola deve atravessar o retângulo no outro lado, os jogadores devem a chutar para lá, mas tem alguém que pode a pegar com a mão, frustrando esse objetivo, os outros jogadores não, esses só podem usar os pés. Habilidade e treino duro são necessários, os jogadores de times famosos ganham muito bem para que seus times ganhem em campo. Intervalo, os treinadores orientam nos vestiários, início do segundo tempo. Mais correria, mais suor, mais gritos e tensão. Fim de jogo. Um time ganhou, o outro não. Quem perdeu fica triste. Os vencedores saem de campo, com uma incrível sensasão de missão cumprida, para contarem à mídia o quanto estão satisfeitos com a vitória, que o time deu tudo de si e, apesar do adversário ser bom, conseguiram, graças a Deus, vencer. (A fala é pontuada por coceiras no nariz, pigarros e cuspidelas) E agora é continuar treinando pro próximo desafio.
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Por vezes finalizam as estrevistas mandando um beijo pra família, sua motivação.
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Agora os jogadores estão em processo de diversão, comemoração... Em um jantar num restaurante fino, pago pelo diretor do time, por exemplo. O esforço investido está sendo recompensado para que eles se esforcem da mesma forma, ou mais, para que ganhem no próximo jogo.
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Perceba como não discutiram as regras do jogo durante a partida. Podem ter reclamado uma vez ou outra, mas estavam realizando sua ocupação, então não interessa que o objetivo de chutar a bola no gol o máximo de vezes possíveis seja, em si, um ato sem sentido. O que lhes interessa é que conseguiram! E ganham muito bem para que consigam. O que está sendo avaliado aqui não é o certo e o errado em se jogar futebol, mas com qual intuito eles fazem isso.
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Jogar lhes dá dinheiro, que os permitem se ocupar com outras coisas que os divirtam, que paga médicos, boa alimentação, enfim... Que os permitem viver mais e de forma mais confortável, alguns extendem isso para suas famílias. E voltamos ao objetivo inicial, que pedi para que refletissem a respeito no início: A função dos humanos é extender ao máximo sua existência. O que fazemos entre o nascimento e a morte não passa de uma busca por distrações.
Assim são os humanos, não discutem as regras do jogo, durante o jogo, simplesmente correm, suam e dão o máximo de si para que vençam na vida, algo que não faz sentido algum mas que por alguma razão os fazem se sentir muito bem.
Madrugada solitária de inverno. Estou deitado e sem sono, estranhando a falta de novidade nisso enquanto alguns mosquitos me imploram a morte, voando bem perto...
Só de maldade os deixo viver, batendo contra a parede branca, confusos, sem saberem onde é a saída desse quarto miúdo, cujo os únicos refúgios da luz são embaixo da cama e dentro da minha alma. De repente, como se por milagre, nada acontece, e tudo continua exatamente na mesma agradável monotonia em que estava. As horas passam, o sono não chega, alvorece.
O tempo não parou junto com os sons da noite, sei disso, mas eles deram lugar a barulhos de motores esquisitos, e é como se tivesse parado, pois me sinto dormindo-acordado de dia, e, acreditem, tem gente que anda de carro e acha isso errado. Essas pessoas barulhentas passam na minha rua o tempo todo com seus carros, algumas vão trabalhar, para ganhar dinheiro para alimentar os filhos para que eles depois trabalhem e ganhem dinheiro pra comprarem um carro. Dizem que as pessoas que querem viver o suficiente para comprarem o seu devem dormir direito, então acho que não terei um automóvel. Não por falta de vontade de viver, mas por estar preso a noite e ao mesmo tempo estar condicionado a ter que conviver com os que se consideram normais, e desperdiçam suas madrugadas dormindo enquanto a mais bela sinfonia é tocada, e a mais fantástica mágica, a do orvalho pousando sobre as folhas, acontece, enquanto a magnífica obra do quarto dia é exposta no manto negro que reveste o milenar firmamento... Como pode o mundo dormir a noite?
Tudo bem... Compreendo que estou meio errado, os ateus poderão dizer que até meu deus dormiu todo santo dia (mesmo antes de criarem a definição do que é um dia), amigos preocupados... Outros podem achar a morte precoce é motivo suficiente para que repousemos, oras, como posso eu, um mero mortal, ficar acordado? Devo morrer toda noite, como todos morrem, de bocado em bocado...
Quer saber, o mundo inteiro deve estar certo, vou dormir, para estudar, para ganhar meu diploma, pra estudar mais, para trabalhar, pra ganhar outro diploma, fazer uma montanha de certificados, e poder ganhar dinheiro pra comprar meu carro. Porque, por menos previsível que eu seja a curto prazo, às vezes me sinto mais um desses mosquitos motorizados batendo a cara contra a parede branca de um quarto pequeno numa noite de inverno.
Algumas pessoas são
Funciona assim: Procura-se a pessoa errada (aquele musculoso de cabeça oca que você fantasia que crescerá, ou aquela linda mulher que, apesar de ter saído com metade da cidade, você jura que mudou contigo). Até que um dia a pessoa
-Pegue sua senha e vá para o final - é o que dizem, mas as vezes o final não é assim tão distante quanto pensam.
E você acha que por não terem tantos pretendentes a próximo dão o braço a torcer?! Não mesmo! Afinal de contas elas são o que são, não o que dizem e se não gostou tem quem goste entre tantos outros clichês.
O incrível não é que existam pessoas assim, mas o fato de estarem sempre olhando em volta e reparando como a outra é galinha, como o outro é idiota. E, por vezes, culpando O MUNDO por serem infelizes!!! Sim, a culpa é delas e elas põe em quem quiserem, incluindo o MUNDO! Convenhamos... É bem mais fácil culpar todo o resto do universo que mudar sua forma de tentar ver os fatos uma vez que seja, não?
Talvez essas palavras não lhe tenham dito nada, mas se você parar pra pensar nos próprios atos quando for chamar alguma garota de biscate (ou algum cara de babaca) de novo, terá valido a pena.
É o último nível de tristeza. Quando se leva golpes e mais golpes, na testa, no coração, pulmões são arrebentados por essa falta de ar que os murros do destino são são tão hábeis em causar...
Não estranhe quando já não houver mais esperanças de sorriso e quando a noite te sufocar com os dedos negros da solidão e você, num acesso de loucura, sorrir. Com a boca escorrendo sangue esboçamos a mais doentia expressão de insanidade, a expressão mais graciosa de quem foi torturado o bastante a ponto de ignorar toda a dor: o sorriso.
Velhos choram nas ruas... Mendigos pedem esmolas... Bêbados cantam suas tristezas afogados no fundo de um copo sujo de um bar podre numa cidade imunda... Mortos antes do tempo, todos eles, e nem ao menos lhes contaram. Mas todos eles, de tristeza, sorriem.
Já é tarde. Taparam nossos olhos enquanto crescíamos curiosos pra espiar a dor do outro e pensávamos ainda num jeito de cuidar de todos. Hoje já não tapam, não precisam, crescemos, sabemos tapar nossos próprios olhos. Aprendemos a estancar todo o sangramento que escorre por essas feridas abertas que chamam de ouvido.
Há quem use a expressão "chorar de rir" quando algo é muito engraçado... Para a tristeza vale o oposto, "rir de chorar"... É a irônica linha dos sentimentos completando seu círculo vicioso... Choramos de rir quando a situação não pode ser melhor, rimos quando a situação é boa, estamos normais em boa parte do tempo, choramos quando tudo vai mal... Mas quando tudo está realmente uma merda que não pode ser consertada, e nos vemos no fundo do escuro poço do desespero - eis a parte mais irônica do círculo - voltamos a sorrir!
Vejam só que curioso! SORRIMOS! Escondemos as lágrimas enquanto engolimos todas as tristezas outrora vomitadas... Sorrimos enganando aos outros, e os protegemos de nossa tristeza e protegendo a nós mesmos de ver mais gente triste assim, isso só pioraria as coisas. É um sério mecanismo de defesa tal sorriso (o de tristeza), forte o bastante para que ninguém perceba que algo vai mal. Poderoso o suficiente para ninguém se incomodar e podermos enfim relaxar buscando pensar em nada...
Isolamo-nos em nosso mundo de sofrimento e esquecemos de todos que se preocupam. E culpamos o mundo choramingando pro travesseiro, coitado do travesseiro. E nos questionamos de tal abandono, e berramos de ódio e de stress e de nojo de tudo. De repente odiamos tudo aquilo que queríamos proteger e nem sabemos ao certo o porque. Dormimos. A dor passa um pouco...
Aos poucos voltamos os pés ao chão, deixando o inferno interior queimar no esquecimento da noite passada... Plantamos um sorriso outra vez no rosto e levantamos, pedaços de carne contentes de tão tristes, para superar mais um dia nesse sombrio caminho misterioso que nosso próprio orgulho traçou e que insistimos em seguir às cegas, sozinhos, reclamando.






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